Câmara aprova projeto de Lula sobre aumento do teto dos MEIs e perdão de dívidas tributárias


A Câmara dos Deputados aprovou, por 461 votos a 4, um pacote de medidas que prevê elevar o faturamento anual do MEI para até R$ 140 mil em 2028, perdoar dívidas de impostos federais e permitir a contratação de até dois funcionários. Anunciadas pelo presidente Lula às vésperas do segundo turno das eleições, as propostas podem beneficiar cerca de 3 milhões de microempreendedores, segundo estimativas do governo, mas ainda precisam passar pela análise do Senado Federal.

Por Luiz Carlos Bordin

Câmara aprova projeto de Lula sobre aumento do teto dos MEIs e perdão de dívidas tributárias

Reprodução

A Câmara dos Deputados aprovou, por 461 votos a 4, nesta quarta-feira (14), um pacote de medidas que prevê o aumento do limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs), o perdão de dívidas relativas a impostos federais e a ampliação da possibilidade de contratação de funcionários. As propostas foram anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira (13) e agora dependem da análise do Senado Federal.

Pelo texto aprovado, o limite anual de faturamento dos MEIs, atualmente próximo de R$ 81 mil, passaria para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A mudança pretende ampliar a margem de crescimento dos pequenos negócios formalizados, permitindo que os empreendedores aumentem suas receitas sem ultrapassar imediatamente o teto previsto para a categoria.

Outro ponto do pacote estabelece o perdão de dívidas tributárias referentes a impostos federais de pequenos empresários abrangidos pela proposta. A iniciativa poderá permitir que os beneficiários regularizem sua situação fiscal perante a União sem precisar quitar os valores contemplados pela medida. De acordo com estimativas do governo, aproximadamente 3 milhões de microempreendedores poderão ser beneficiados, com dívidas que, somadas, podem alcançar R$ 12 bilhões.

O projeto também prevê mudanças nas regras de contratação de trabalhadores. Atualmente, o MEI pode manter apenas um empregado. Com a alteração proposta, será possível contratar até dois funcionários, desde que recebam um salário mínimo ou o piso salarial correspondente à categoria profissional. Conforme o texto divulgado, essa possibilidade está vinculada às atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural.

Embora o anúncio das medidas tenha ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, o governo informou que o projeto de lei complementar sobre a ampliação dos limites do MEI já havia sido encaminhado ao Congresso Nacional quatro meses antes. A votação na Câmara ocorreu em um período de intensa movimentação política, com outras propostas relevantes também em discussão no Legislativo. Agora, caberá ao Senado Federal analisar o conteúdo aprovado pelos deputados. A tramitação ocorre enquanto os senadores concentram esforços na votação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.

Caso as medidas sejam aprovadas e entrem em vigor, as mudanças poderão beneficiar diretamente pequenos comerciantes, prestadores de serviços, trabalhadores autônomos e empreendedores que utilizam o MEI para formalizar suas atividades. Até a conclusão da tramitação legislativa, entretanto, os novos limites de faturamento, o perdão das dívidas e a ampliação das contratações não devem ser considerados regras já em vigor.